Uma delegação composta por sete membros realizou hoje uma reunião com o líder do povo curdo, Abdullah Öcalan, na Prisão de Segurança Máxima Tipo F de İmralı. A delegação foi composta por Sırrı Süreyya Önder, Pervin Buldan, os co-presidentes do Partido DEM, Tülay Hatimoğulları e Tuncer Bakırhan, Ahmet Türk, o deputado do Partido DEM por Istambul, Cengiz Çiçek, e o advogado Faik Özgür Erol, do Escritório de Advocacia Asrin. Também participaram do encontro os companheiros de prisão de Öcalan em İmralı: Ömer Hayri Konar, Hamili Yıldırım e Veysi Aktaş.

A Delegação de İmralı realizou uma coletiva de imprensa no Hotel Elit World, em Istambul, para transmitir um chamado histórico de Abdullah Öcalan.

A delegação expressou sua gratidão a Abdullah Öcalan e a todas as partes que contribuíram para o processo.

O ‘Chamado pela Paz e pela Sociedade Democrática’, lido por Ahmet Türk em curdo e por Pervin Buldan em turco, contém a seguinte mensagem:

"O PKK surgiu no século XX, a era mais violenta da história da humanidade, no contexto das duas guerras mundiais, sob a influência da experiência do socialismo real e da Guerra Fria. A negação absoluta da realidade curda, as restrições aos direitos e liberdades fundamentais – especialmente à liberdade de expressão – tiveram um papel significativo em seu surgimento e desenvolvimento.

O PKK foi moldado pelas duras realidades do século e pelo sistema do socialismo real em termos de teoria, programa, estratégia e táticas adotadas. Nos anos 1990, com o colapso do socialismo real devido a dinâmicas internas, a dissolução da negação da identidade curda no país e os avanços na liberdade de expressão, a base fundamental do PKK foi enfraquecida, resultando em repetições excessivas.

Ao longo de mais de mil anos de história, as relações entre turcos e curdos foram definidas pela cooperação mútua e aliança, sendo essencial para ambas as partes manter essa aliança voluntária para garantir sua existência e resistir às potências hegemônicas.

Os últimos 200 anos da modernidade capitalista foram marcados por tentativas de romper essa aliança. Forças com interesses de classe desempenharam um papel central nesse objetivo. Com interpretações monistas da República, esse processo se acelerou. Hoje, a principal tarefa é reconstruir essa relação histórica, agora extremamente fragilizada, sem desconsiderar as crenças e preservando o espírito de fraternidade.

A necessidade de uma sociedade democrática é inevitável. O PKK, a insurgência e movimento armado mais duradouro e abrangente da história da República, encontrou base e apoio social principalmente devido ao fechamento dos canais da política democrática.

O desfecho inevitável de desvios nacionalistas extremos – como um Estado-nação separado, federação, autonomia administrativa ou soluções de cunho cultural – não responde à sociologia histórica da sociedade.

O respeito às identidades, a livre autoexpressão e a auto-organização democrática de cada segmento da sociedade, de acordo com suas próprias estruturas socioeconômicas e políticas, só são possíveis com a existência de uma sociedade democrática e de um espaço político democrático.

O segundo século da República só poderá alcançar e garantir uma continuidade fraterna e permanente se for coroado com a democracia. Não há alternativa à democracia na busca e realização de um sistema político. O consenso democrático é o caminho fundamental.

A linguagem da era da paz e da sociedade democrática deve ser desenvolvida em conformidade com essa realidade.

O chamado feito pelo Sr. Devlet Bahçeli, juntamente com a vontade expressa pelo Sr. Presidente, e as respostas positivas dos demais partidos políticos à conhecida convocação, criaram um ambiente no qual faço um apelo pelo abandono das armas, assumindo a responsabilidade histórica deste chamado.

Assim como qualquer comunidade moderna e partido cuja existência não tenha sido extinta pela força faria voluntariamente, convoquem seu congresso e tomem uma decisão: todos os grupos devem depor as armas e o PKK deve se dissolver.

Envio minhas saudações a todos que acreditam na coexistência e que aguardam meu chamado.

25 de fevereiro de 2025

Abdullah Öcalan"

Fonte: ANFNews